O tempo do não fazer acontecer.

Às vezes abro uma página em branco, nas notas ou diretamente na app, e até tenho a ideia sobre o que quero escrever. Mas, se tenho tempo, prefiro não escrever. É irónico, porque só escrevo se tiver tempo. Mas a minha cabeça não prefere. Parece que sinto a preguiça dos neurónios prestes a terem que trabalhar para por as ideias em ordem, dar um princípio, um meio e um fim a um texto, dar-lhe um fio condutor e, de repente, a tarefa agiganta-se e a simples ideia que até queria por por escrito acabar por se assemelhar a toda uma tese académica de 420 paginas excluindo notas bibliográficas e… puff, vai-se a vontade. Fecho a página em branco, rejeito o rascunho e ficamos assim. Num desanimo. Numa falta de vontade. Se tenho tempo, prefiro não fazer nada. E depois dou comigo a queixar-me de que não faço nada.

E quem diz uma página em branco, diz tudo o resto. Até teorizo sobre fazer. Mas acabo sempre por não fazer. Não tenho tempo para fazer coisas acontecer e, quando tenho, prefiro preguiçar e assim é que não há nada feito.

Estranho(-me).

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Crónicas do escritório

Há lá coisa mais nojenta do que estar a levar com o “nham nham nham” do colega de sala que come a sua banana de meio da manhã numa postura meio entre o estar a degustar e o simples comer de boca aberta?

GGRRR…

Ainda sobre a nanny ou a falta dela

No auge de uma fúria, em que gritava eu e gritava ele com lágrimas nos olhos, oiço-me nuns decibéis mais acima do que eu gostaria de me ouvir em plena televisão nacional e em horário nobre: “diz-me lá o que é que tu queres? de que é que tu precisas? Hã? precisas de um abraço?” e ele que sim com a cabeça. E eu, prontamente mas conscientemente a contrariar a minha vontade, que era mais de o esganar do que de o abraçar, agarro-o para mim e ficamos ali um bocado. Penso “realmente… o poder de um abraço…

Outra: no auge de uma fúria, em que gritava eu e gritava ela com lágrimas nos olhos, oiço-me nuns decibéis mais acima do que eu gostaria de me ouvir em plena televisão nacional e em horário nobre: “olha, Júlia, não temos tempo para isto; escolhe: vens a bem ou vens a mal? Hã? Escolhe! A bem ou a mal?” e ela, baixinho, “com cariiiinhooo…” E eu, admirada com a selecção dela da palavra “carinho”, que não fui eu que induzi e que, portanto, era ela a explicar-me melhor do que eu tinha pedido que precisava que a minha atitude para consigo fosse “a bem”.

Isto para dizer que, realmente, as crianças são crianças. Não são pequenos adultos. Não têm maturidade, têm limitações. O vocabulário é uma delas. A maturidade emocional é outra. E que, se NÓS, a nossa postura mudar, se formos capazes de praticar escuta ativa, se formos capazes de, de facto, ouvir o que eles nos dizem com as palavras mas também com outros instrumentos (chorando, por exemplo; desafiando, por exemplo), as dinâmicas melhoram e as relações passam-se em níveis de decibéis mais agradáveis.

 

Note to self: abraçar mais. fazer tudo com mais antecedência para não ter que dizer “não temos tempo” a quem não sabe medir o tempo. não lhes fazer o que lhes peço para não fazerem, ser coerente eu própria com o “não faças aos outros o que não gostas que te façam” e não lhes gritar se não gosto de gritos e se não me dirijo a mais ninguém na vida aos gritos. Coisa feia. Búú pra mim.

Então e aquela mãe?

Li ontem , no avião (depois conto!), a Sábado desta semana. Eu, que quase não vejo televisão ultimamente, surpreendi-me ao encontrar uma entrevista à Teresa Paula Marques, de quem me lembrava como a psicóloga da revista “Teenager”, que respondia às cartas de miúdas adolescentes (público-alvo da revista, como o nome indica) e que teria aí mais uns 10 anos que eu. Ou seja, esta senhora, lembro-me eu, ninguém me contou (que eu colecionava todos os números da revista), já na época era dada a estas coisas de aplicar o que estudou na faculdade aos media. Já a “vi” mais vezes desde então por esses meios de comunicação social fora mas, curiosamente, no seu CV não menciona a colaboração com a Teenager… Também não menciona o seu recente tiro no pé ao fazer o papelão de SuperNanny, no reality show que estreou ontem em horário nobre na SIC. Continuar a ler

Negociação. Soluções de compromisso. Como a Rapunzel conheceu o Pedro e o Lobo.

Um dia destes, ao deitar, para os acalmar prometi uma história. Não costumo contar histórias ao deitar porque me demora sempre mais tempo, sou team rezar e cantar, mas de vez em quando lá calha. “A Rapunzel!”, dizia ela. “Não, o Pedro e o Lobo!”, dizia ele. Disse-lhes para conversarem enquanto eu ia lá dentro fazer qualquer coisa e que encontrassem uma solução que agradasse aos dois, que combinassem que contava uma naquele dia e no dia seguinte outra, por exemplo, qualquer coisa com que os dois ficassem satisfeitos. Ao afastar-me ainda ouvi, orgulhosa, o Manel num tom calmo e disponível. Não ouvi a proposta que lhe apresentou, mas fiquei contente com a capacidade de diálogo que substituiu logo a adrenalina com que estavam antes.

Ainda eu não tinha voltado e já tinha o Manel todo entusiasmado nas minhas pernas “mamã, já combinámos! Continuar a ler

Boas entradas

O Frederico a respirar como uma panela de pressão e com febre. A Júlia com o nariz a correr e com tosse. O Manel todo quente e mole, a deixar-se adormecer no sofá quando o que normalmente faz no sofá é saltar.

2018, meu cabrão, é assim que te apresentas? Mal chegaste e vens logo numa entrada a pés juntos quando a única coisa que pedi foi saúde…