Noites

00:30 mama

01:00 deito-me

01:37 acorda a gritar e a soluçar, lágrimas e tudo, nada o acalma. Dentes?

02:05 dou ben-u-ron, que se lixe, diz que também ajuda ao bem estar geral. Já 02:20 e parece que fica, yes!

02:30 a Júlia chama “qué fajê xixiiiiiii! Qué fajê xixiiiiii” e precisa que fique com ela até voltar a adormecer. No chão. Toda torta ao lado da cama dela. Continuar a ler

Portugalidade

Faz parte do ser-se português esta coisa do desdenhar de nós próprios, não é verdade?  Mesmo quando os de fora nos reconhecem como os melhores do mundo, cá no burgo há sempre aqueles velhos do Restelo que estão prontos a apontar o dedo. É assim com o Cristiano Ronaldo, que anda nisto há anos, porque não havia de ser assim com o Salvador Sobral?

O miúdo ganhou o Festival Eurovisão da Canção. Destacadíssimo. Lá fora, só elogios. Cá dentro Continuar a ler

É disto que se trata quando se diz que ter filhos com pouca diferença de idade entre si é muito cansativo nos primeiros tempos

À hora de deitar fico sozinha com os três, que o pai tem que sair. Ainda não são nove da noite e tudo parece estar bem encaminhado: dentes lavados, metidos na cama, o bebé em ponto de rebuçado para poder ser deitado na cama e libertar-me para os ir aconchegar a eles. O objetivo é que ele adormeça, portanto que se calem e sosseguem enquanto eu ando ali a embalar o bebé, “só um bocadinho por favor, para que eu possa vir ter convosco, sejam inteligentes: quanto menos barulho fizerem, mais depressa o Ico dorme e mais depressa eu venho aqui contar uma história e estar convosco!”

Começam por ficar nas camas mas a falarem e a rirem e a cantarem e a darem com os pés com toda a força que até saltam as ripas dos estrados e a chamarem-se cocó um ao outro. Eu, cheia de calma, a rezar o de todas as noites e a cantar cantigas de embalar baixinho, ainda numa de que quanto mais baixo eu falar, menos alto eles falarão também. Mas a partir daqui conta com um relato digno de quem nunca sequer ouviu falar de disciplina positiva! Só faltou a bela da palmada! Que ainda prometi! Continuar a ler

À minha frente ninguém diz mal do SNS!

Cinco da tarde desta sexta feira, toca-me o telemóvel. “Estou sim? É a mãe do Frederico? O meu nome é Fulana de Tal, sou enfermeira da Unidade de Saúde Pública e vinha confirmar que o Frederico esteve no serviço de urgência pediátrica do hospital X no passado dia tantos do tal? É que nesse dia também lá esteve outra criança com sarampo e, como o Frederico ainda só tem seis meses e não tem a vacina, deve dirigir-se à unidade de saúde familiar Y [a nossa USF, onde está a nossa médica de família] e às minhas colegas de lá, que a esta altura já conhecem o protocolo recomendado e “estarão à vossa espera” para vacinar o Frederico já, antes dos 12 meses, para o acautelar do surto de sarampo que está declarado em Portugal, uma vez que ele poderá ter estado em contacto com a doença.”

Eu: 😯

E continua ela: “Mais uma coisa: naquele dia quem acompanhou o Frederico ao hospital?”  Continuar a ler

Alerta Síria 

Pronto. Começou. Os EUA lançaram mísseis sobre uma base aérea síria que é vital para o controlo de Damasco, retaliação pelo uso de armas químicas no início desta semana. É uma viragem abrupta na política externa norte-americana (Obama ameaçou fazê-lo perante o mesmo tipo de ataques químicos mas nunca ousou; portanto este é o primeiro ataque direto dos EUA em solo sírio) e é sem dúvida uma tomada de posição do Presidente Trump que, com esta decisão surpreendente (ou não, que ele sempre disse que tem tolerância zero a terroristas), reforça a sua credibilidade tanto a nível externo como interno. Estou a ver os líderes políticos, opinion-makers, jornalistas e conselheiros a darem um passo atrás sem conseguirem segurar o queixo num “wow…did he really…?!”  Continuar a ler