A noite em que a polícia veio atrás de mim

Jantar de miúdas. Somos só três, que uma delas emigrou. Treco lareco, treco lareco, sempre na converseta, as histórias a encadearem-se umas nas outras, um “espera aí, não te esqueças do que ias dizer, deixa-me só dizer isto“, um “então e que é feito d[aquela pessoa/aquela história de que falámos da última vez/a última polémica das notícias]?”, o empregado a vir ter à mesa sem ser chamado a perguntar se íamos querer cafés, a noção de que já somos as últimas e que estão todos de mãozinhas atrás das costas à nossa espera para poderem fechar e, ok, lá pagamos e saímos. Somos sempre varridas!

Mas galinhagem que se preze não acaba só porque o restaurante fechou, não é verdade? Pois que a conversa tinha muito por onde continuar e Continuar a ler

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Teoria da conspiração

Agora para aligeirar a coisa: tenho cá pra mim que, quem andou – pessoalmente! – a por cada um dos quinhentos e tal fogos no domingo passado foi o nosso amigo José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. É que, de repente, todo o dossier da Operação Marquês caiu no esquecimento. Quando tinha acabado de ser notícia porque tinha acabado de ser formalmente acusado de não sei quantos crimes de filha-da-putice. É que, ou é da minha vista, ou nem aparece link nenhum sobre o tema nahome page do Expresso! A esta hora está ele nisto:

Crónicas do escritório

13h30. Na cantina. Agarras no teu tabuleiro e escolhes o cantinho do salão mais reservado, onde não levas com o ar condicionado e o menos possível com os olhares dos outros. Não estás com pachorra para desfiles e queres limitar a refeição ao momento de renovação de energias em vez de fazer sala. Não fazes questão de te por a par de todas as polémicas da rádio-corredor e agarras-te antes ao facebook.

Nisto, vem o galaró do escritório na tua direção, de tabuleiro em riste, sorriso meio confiante meio sorrateiro, “F.!” Fazes que não ouves e continuas a olhar para o telefone pousado na mesa para te mostrar ocupada e indisponível. Mas ele, que é galaró e vem para o flirt, insiste “F! Olá! Posso fazer-te companhia?

._. *eye roll*

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Autárquicas 2017

Eu sei que isto, em dia de rescaldo de eleições autárquicas, era de uma pessoa, já que vai voltar à toca, escrever umas linhas sobre o tema do dia em vez de estar com as graças dos filhos, não é verdade? Mas, então, o que é que queres?

*encolhendo os ombros*

Bom. Ora então temos que, como li algures, enquanto que na Catalunha vai preso quem quer votar, cá no burgo é eleito quem esteve preso. Com maioria absoluta. Continuar a ler

De sábado à noite, em casa de uns amigos

Cena 1

Diz o meu Manel para a dona da casa, a propósito já ela não sabe de quê:

-“…na minha festa dos 6 ou dos 5 anos, pr’aí…“, assim num tom desplicente.

Ela, confundida, por ter ideia de que ele tinha acabado de fazer os 5, pergunta-lhe afinal quantos anos tinha ele. Resposta verdadeira, disse que tinha 5. Percebeu que estava a ser apanhado a querer ser mais crescido e corrigiu “quer dizer, na minha festa dos 4 ou dos 5 anos, já não sei!“, mas assim a abanar a mão como quem diz “isso agora não interessa nada”.

Ela achou-lhe graça e continuou a puxar por ele:

-“Então, quer dizer, já vais à escola…?Continuar a ler