Natal

Acho que já desabafei por aqui que não sou a maior entusiasta desta época. Ou melhor: do Natal gosto; do que eu não gosto é do frenesi que se apodera de pessoas e sítios nesta altura do ano. O trânsito fica caótico a qualquer hora do dia – até faz parecer que a hora de ponta de um dia de inverno chuvoso com carros batidos a cada km é mel! As pessoas andam stressadas de um lado para o outro, acotovelam-se em shoppings (de que fujo, por norma, e que tenho mentalmente como zona de guerra nesta época). Falam ao telefone incessantemente a desejar boas festas àqueles a quem não ligaram o ano inteiro. Organizam o Amigo Secreto mais por tradição do que por convicção/quando se evitam/dizem mal uns dos outros o resto do ano. Andam com o pavio curto e discutem por qualquer coisa, normalmente em filas de pagamento e indiscriminadamente, tenham crianças à volta ou não. Desdobram-se em jantares de Natal da empresa, dos amigos da escola, dos da faculdade, dos do bairro, dos das férias de verão e, quando já não há noites vagas, marcam almoços de Natal que encaixam entre as idas aos shoppings onde se acotovelam porque têm falta de tempo para estar noutro lugar! Compram, compram, compram… compram em novembro “porque este ano não vou deixar nada para a última”, compram em dezembro porque se esquecem do que já compraram em novembro, “já lá vai tanto tempo!”, e voltam a comprar em janeiro porque foram às trocas e está tudo em slados e “é de aproveitar”. NÃO TENHO PACIÊNCIA. Não tenho. O Natal não é nada disto.

O Natal é, como eu digo aos meus filhos, a festa de anos do Jesus! É celebrar que Jesus nasceu, senhores!, e com Ele, os tais valores (não exclusivamente católicos) do amor e da compaixão, da união, da família, da paz… Cada vez menos compro coisas. Quando compro procuro fazê-lo online e ser solidária. Mas depois constranjo-me toda porque uma agenda solidária, por exemplo, que é um presente bastante útil não só para quem a recebe como para a instituição que a publica, custa aí uns 5 ou 10€ e “parece poucochinho”! Mas parece a quem, raios partam?! Mas isto trata-se do que parece? Ou trata-se de ser? Mas não consigo não comprar a seguir mais qualquer coisa de consumo rápido (e caro! e supérfluo) para “compensar”… Irrita-me isto, irrito-me comigo própria por não conseguir não alinhar nesta onda de despesismo!

Este ano ainda não comprei um único presente. É verdade, nem umzinho. Dia de hoje: 19! E já me senti mal com isso porque tenho 3 crianças em casa a quem é preciso alimentar a magia do Natal. Mas também já deixei de me sentir mal porque, na verdade, não é por ter os presentes em dia que ela aparece.

Natal2017

Que passe rápido.

E que Deus me perdoe.

Que seja um Santo Natal.

A noite em que a polícia veio atrás de mim

Jantar de miúdas. Somos só três, que uma delas emigrou. Treco lareco, treco lareco, sempre na converseta, as histórias a encadearem-se umas nas outras, um “espera aí, não te esqueças do que ias dizer, deixa-me só dizer isto“, um “então e que é feito d[aquela pessoa/aquela história de que falámos da última vez/a última polémica das notícias]?”, o empregado a vir ter à mesa sem ser chamado a perguntar se íamos querer cafés, a noção de que já somos as últimas e que estão todos de mãozinhas atrás das costas à nossa espera para poderem fechar e, ok, lá pagamos e saímos. Somos sempre varridas!

Mas galinhagem que se preze não acaba só porque o restaurante fechou, não é verdade? Pois que a conversa tinha muito por onde continuar e Continuar a ler

Teoria da conspiração

Agora para aligeirar a coisa: tenho cá pra mim que, quem andou – pessoalmente! – a por cada um dos quinhentos e tal fogos no domingo passado foi o nosso amigo José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. É que, de repente, todo o dossier da Operação Marquês caiu no esquecimento. Quando tinha acabado de ser notícia porque tinha acabado de ser formalmente acusado de não sei quantos crimes de filha-da-putice. É que, ou é da minha vista, ou nem aparece link nenhum sobre o tema nahome page do Expresso! A esta hora está ele nisto:

Crónicas do escritório

13h30. Na cantina. Agarras no teu tabuleiro e escolhes o cantinho do salão mais reservado, onde não levas com o ar condicionado e o menos possível com os olhares dos outros. Não estás com pachorra para desfiles e queres limitar a refeição ao momento de renovação de energias em vez de fazer sala. Não fazes questão de te por a par de todas as polémicas da rádio-corredor e agarras-te antes ao facebook.

Nisto, vem o galaró do escritório na tua direção, de tabuleiro em riste, sorriso meio confiante meio sorrateiro, “F.!” Fazes que não ouves e continuas a olhar para o telefone pousado na mesa para te mostrar ocupada e indisponível. Mas ele, que é galaró e vem para o flirt, insiste “F! Olá! Posso fazer-te companhia?

._. *eye roll*

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