situação grega explicada à minha filha

Já estou como a outra: é por isto que ele é o meu blogger preferido! 😄

Sonhos do tipo D

Estamos os dois em casa com a virose, de modo que aproveitei para brincar de forma pedagógica com ela e explicar-lhe o que se está a passar.

“oh não, camarada! o nosso stock de avelãs está a esgotar-se porque somos oprimidos pelo grande capital e pelas políticas de direita!”

No Eurogrupo, aguarda-se a chegada do Rato Grego para discutir se emprestam e injectam mais fundos do pires de fundos. A apreensão é geral.


“…  ou me dão mais fundos para avelãs ou falo com o Urso Russo. Ah, e de qualquer forma, não podemos pagar o que devemos, isso é evidente. E exigimos ao gato compensações por crimes. E… “


A mão pesada da chanceler abate-se sobre o Rato Grego.


O Rato Grego muda de tom e dá música aos seus parceiros na esperança de libertar fundos do pires: “queremos liberalizar e privatizar coisas, a sério que queremos”, diz…

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Certos domingos à noite

Enquanto a noite não escurece atarefo-me a fazer coisas. Todas as coisas têm que ser feitas por aquela ordem, naquele momento e comigo sorridente e galhofeira para que eles não me percebam a inquietude cá dentro. Aqueço as sopas, duas ao mesmo tempo, descasco as frutas para que estejam prontas a servir de carro de bombeiros a umas colheradas já forçadas, dou jantar à Júlia com a mão direita e ajudo o Manel com a esquerda. Enquanto eles mastigam eu lá como também. Depois deixo-o ver um Jake com a promessa de que, no fim, lavamos os dentes. E enquanto o Jake faz das suas, a Júlia adormece. Às vezes ela tarda mais um bocadinho e o Manel tem o bónus do Calimero ou lá o que for que vem a seguir ao Jake.  Continuar a ler

Sinais dos tempos

Hoje, em conversa de circunstância com o pai de um menino da sala do Manel que vai mudar de escola, falávamos da relação cúmplice (e tipo amor-ódio) deles os dois e que pena ele sair quando, de repente, naturalíssimamente, ele saca do smartphone, puxa a aplicação do facebook enquanto vai dizendo que não há de ser difícil manterem o contacto, que poderão sempre encontrar-se no parque depois da escola ou nas casas uns dos outros… “qual é o teu nome?”, com o indicador em riste pronto para me pesquisar!

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a consulta chique e rejuvenescedora ou como a amo de perto. perto de mais.

O balcão da receção principal forrado a couro, pessoas que falam baixo, as assistentes que saem de trás do balcão e acompanham os clientes até à sala de espera, as televisões LED e as revistas executivas no dispensador, o trato por doutores e engenheiros para chamar para os gabinetes – “doutor fulano de tal, por favor, por aqui”, “senhor engenheiro sicrano?” – não me lembro de ter visto isto antes. Da mesma maneira que achei parvo que me perguntassem no banco se queria os meus cartões com “dra” antes do meu nome, ali, naquela sala de espera, aquilo também me estava a soar a algo-fora-do-sítio. Até porque não condizia com o cenário, que era o de uns 50m2 de cadeiras enfileiradas e quase todas ocupadas por pessoas que bufavam e se remexiam por atrasos de cerca de uma hora, tal qual o Centro de Saúde de Sete Rios como o vemos na tv quando há notícias de greves da função pública. Continuar a ler

No meu tempo não havia nada disto!

Lembro-me perfeitamente das minhas desgraçadas férias da Páscoa do 9º ano porque passei uma semana inteirinha, não a ir com as amigas até à praia, não, mas a caminhar com a minha mãe até um centro do Instituto do Emprego e Formação Profissional no meio de Lisboa para fazer os testes psico-técnicos, tão em voga na época (não sei se ainda se faz disto hoje em dia, faz-se?). Continuar a ler