Apaixono-me um bocadinho todos os dias

O M. faz zapping e detém-se num programa de comentário político internacional. Especialistas da história política da Rússia e de estudos americanos debatendo as decisões de Trump. Chego eu e aninho-me ao seu lado, já agarrada ao programa. Os miúdos a brincar ali pelo chão.

Nisto, dou comigo a pensar que uma das coisas que me faz apaixonar pelo meu marido é esta capacidade dele de gostar das coisas de que eu gosto. Estas coisas. Não será só por mim, claro, porque ele já era uma pessoa interessada no mundo que o rodeia antes de eu lhe existir. Mas noto que há um entusiasmo diferente. Outro dia também chegou a casa com um livro recente sobre a história política desde 1914 até à Guerra Fria e comentava que tinha comprado o livro porque me ouvia falar e nunca tinha lido nada sobre o assunto. Fiquei toda orgulhosa, prometi a mim própria que leríamos o livro juntos porque eu também vou gostar de recapitular e fiquei com pena de não conseguir gostar assim com esta facilidade dos números e das equações e da legislação com que ele lida no dia a dia dele. Nisso eu sou o burro e os negócios o palácio!

Presunção minha, achar que fui eu que lhe passei o gosto pela história política? Não sei. Gosto de pensar que não. Que é disto que se trata quando se diz que as pessoas crescem umas com as outras, que se moldam aos interesses do outro e que é assim que se chega a velhos juntos.

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