A família que eu escolhi

Então e o tal brunch a que iam? Pois lá fomos e foi ótimo! É um conceito que acho que já está um bocado subvertido porque já não nos apresentam só coisinhas pra “picar”, já nos servem sopa e massas e risottos, por exemplo, e nós já acabámos por marcar para a uma e meia, assumidamente à procura de almoço, muito mais do que de pequeno almoço tardio, que seria o suposto. Mas com crianças só dá pra ser se for mesmo assim.

Os amigos dos meus filhos são os filhos dos meus amigos e não há nada que me satisfaça mais. Já que, na escola, não podemos e nem sei se devemos escolher os amigos deles, então que os amigos de fora da escola sejamos mesmo nós a escolher para eles. Se eles vão ser o resultado das várias influências que sofrerem, e se tu não te dás com delinquentes e pessoas mal formadas, em princípio e de forma natural, os teus filhos também não escolherão esse tipo de companhia. Em principio, os teus amigos são pessoas com quem partilhas interesses, hábitos, estilos de vida e valores e, tirando as saudáveis diferenças de opinião, o mais provável é movimentares-te entre pessoas que poderiam ser uma continuação de ti. E escolher pessoas “iguais a ti” para os teus filhos conviverem é escolher as influências que queres que eles absorvam e isso não é mais do que o que fazes enquanto educador nas outras vertentes todas da educação que lhes dás.

O meu grupo de amigos mais próximos, o tal “das 8”, não podia ser mais heterogéneo. Temos de tudo: casados, em primeiras e em segundas núpcias, solteiros, divorciados e unidos de facto. Sem filhos, com filhos, enteados e sobrinhos a rodos! Altas, baixas, magras e mais gordas. Loiras, morenas e ruivas quando lhes dá pró farandol! Celulite, pernas gordas, barrigas lisas, cabelos alisados, outras mais despenteadas, quem se maquilhe até pra ir por o lixo à rua e quem ande de all star 7 dias por semana. Temos doutores, engenheiros, professores, quem trabalhe com as mãos e quem trabalhe com a cabeça. Temos quem viaje com frequência, há quem viaje cá dentro, quem nem sequer saia de casa para trabalhar e quem mude de casa para trabalhar. Há quem trabalhe horas a mais e quem se recuse a isso. Beatas, descrentes e assim assim. Benfiquistas, sportinguistas e até portistas!

Não podíamos ser mais diferentes e temos muitas vezes diferentes opiniões sobre vários assuntos (menos eu e o D., que estamos sempre de acordo um com o outro! 😊). Vira e volta acontecem melindres e falamos sobre eles à mesa ou em e-mails que trocamos às dezenas todos os dias. Fazemos questão de celebrar o Natal todos juntos, organizar piqueniques no dia da crianca, fazer caça aos ovos da Páscoa (este ano falhou) e o magusto no São Martinho. Este ano até vai haver uma semana de férias em grupo outra vez e deseja-se que seja para fazer tradição.

Estas pessoas fazem-me feliz, são a família que eu escolhi. Os meus filhos correm para os deles num abraço assim que os vêem. Falam das “tias” como se fossem uma continuação das pessoas cá de casa. Nestes brunchs e encontros em geral, já somos mais de vinte, mal conseguimos manter uma conversa até ao final, mais andamos de rabo pro ar atrás deles e do que comem do que passamos um bocado descansados. Mas o meu coração transborda de serenidade mesmo assim. São a família que eu escolhi.

“Foi muito div’tido ter vindo!”, diz-me o Manel no fim…

Os gémeos, as mais recentes aquisições, e a que está pra vir!
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9 thoughts on “A família que eu escolhi

  1. Que bom e saber que “… Falam das “tias” como se fossem uma continuação das pessoas cá de casa…”, e isso é família :-)
    Beijinhosss muitos

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  2. tesuuuu :):):) Muito amor, muito carinho e amizade …muita preocupação, cuidados e mimos… Um sentimento tão forte e especial por esta grande ‘familia’ :*:*)*

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