Qual é a disciplina mais importante?

Nas escolas, o novo ano letivo começou por estes dias. Mais criatividade, menos imaginação, as matérias são as mesmas. Há anos. Sou pela reforma do sistema educativo mas não sou perita no assunto. Só sinto que não faz sentido o modelo do professor palestrante perante uma audiência de garotos preocupados com o toque. À medida que os meus filhos vão crescendo e à medida que for lendo cada vez mais sobre o tema, talvez me sinta mais fundamentada. Para já, sou só uma curiosa e deixo-te (e a mim também, para referência futura!) o artigo que li sobre “qual será a disciplina mais importante?”

Das que são aqui alvitradas, as minhas preferidas são a História Invertida, o Mandriar Ao Ar Livre, a Cultura e a Inteligência Emocional.

Nunca fizeste o exercício de que se fala no texto, de começar a imaginar a vida sem o telefone ou a televisão? Eu já! Lembro-me de ser miúda e de estar à espera, com o lanche à frente preparado pela minha avó, que a mira acabasse para começar a emissão da RTP com o Vasco Granja e os desenhos animados checoslovacos a preto e branco. E lembro-me de pensar, mais tarde, já com tv a cores e com comando à distância, que se para mim já era estranho pensar na tv a preto e branco, o que diriam os meus avós, que nem tv tinham e passavam os serões em casa de famílias amigas a ouvir a rádio e a jogar cartas! Depois li Eça e foi fácil imaginar tais serões, mas, quero dizer… tu percebes, né? Fazer o exercício de imaginar a vida antes desta vida que temos hoje. Só pode fazer bem à cabeça!

Mandriar! Oh, sim, andar a molengar, a arrastar os pés, com os olhos na terra a ver a observar as formigas!! Ainda hoje o meu filho (três anos) ia, depois da aula de música, ao parque da escola ver as formigas e que entusiasmado estava! Ele e todos, que só falam nas formigas há dias! Então isto não é maravilhoso? E não se aprenderá tanto, tanto com o deixar perder-se a cabeça em pensamentos enquanto aquilo que devíamos estar a fazer fica à espera?

Ao ler a parte da Cultura no artigo só me lembrava das minhas aulas de Cultura Portuguesa do ano zero (eu fiz o ano zero da faculdade em vez do 12º na escola secundária e só por isso, aliás, é que tive esta cadeira e mais duas extra. Faziam parte do curriculo da faculdade para o ano zero, além das três cadeiras do plano nacional para o 12º ano da época). Não nos ensinavam nada que não conhecessemos já da História ou da Geografia. Mas fazia-se a relação entre as coisas. Falava-se do Sebastianismo e nós percebíamos essa característica tão nossa de saudosismo e do otimismo vindos do mito de que D. Sebastião havia de voltar da batalha num dia de nevoeiro. Eram aulas bem giras. Claro que no momento da inscrição me revoltei porque toda a gente na escola ia ter só três disciplinas com que se entreter e eu ir ter mais três que “não eram precisas pra nada”. Mal sabia eu que as ia ter tão presentes hoje, passados 20 anos, e que lhes havia de dar tanto valor.

(Vinte?! Eu disse VINTE??! Meu Deus!… Isto merece post à parte!)

E, finalmente, também concordo que conhecermo-nos bem ajuda muito a definir quem somos, as nossas expectativas e as consequências de as falharmos ou superarmos, ajuda a saber lidar com todo o tipo de situações. Diminui o fator de surpresa, diminui o risco. Poderá fazer de nós pessoas mais auto-conscientes, logo, melhores pessoas. Logo, um melhor mundo.

Não sei, olha, gostei do que li aqui e achei que podias gostar também. Se tiveres mais ideias, podes partilhar no site do The Economist. Eu (ainda) não tive. Lá está: sou só uma curiosa.

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